Ao lado, nada mais que um gesto simples, dando a entender o que ali se estranhava. Nada menos que o mais simples, pensando em entender o como se entendia. Possibilidades impossíveis, transportando bagagem maior do que suportava. E mesmo quando estranhava, esperava e suportava, estava sempre ao lado.
Compreende poemas e crônicas que escrevo e mais alguns trechos escolhidos de autores singulares. Disponibilizo esses materiais para leitura, análise, crítica, ou qualquer outra forma de aproveitamento ou desaproveitamento. Como disse Eduardo Galeano, "escrever algo é como colocar alguma coisa dentro de uma garrafa e atirá-la ao mar. A possibilidade de que alguém a recolha é sempre remota." José Eduardo Calcinoni
terça-feira, 25 de setembro de 2007
ME, MIM, COMIGO; SE, SI, CONSIGO...
Esses dias pensei comigo
e de tanto pensar,
nem lembrar eu consigo.
...
e de tanto pensar,
nem lembrar eu consigo.
...
CONCLUSÃO (AINDA QUE AS VERDADES SEJAM MENTIRAS E AS MENTIRAS SEJAM VERDADES)
Algumas verdades são tão inúteis,
que sempre quando as digo,
penso que estou mentindo!
...
que sempre quando as digo,
penso que estou mentindo!
...
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
FUNÇÃO
De todas as palavras ditas, apenas uma, somente, foi realmente ouvida. Nada que se falasse naquele momento seria tão relevante quanto aquela única palavra. Cantou-se músicas, leu-se poesias, rezou-se, mas nada, absolutamente, podia substituí-la. Porém, como nada é insubstituível, durou-se apenas aquele momento, e depois vieram outras palavras, em outros momentos, insubstituíveis.
...
...
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
ESPAÇO EDUARDO GALEANO
OS SONHOS DO FIM DO EXÍLIO/3
As lentes dos óculos tinham se quebrado, e as chaves tinham se perdido. Ela buscava as chaves pela cidade inteira, às cegas, de joelhos, e quando finalmente as encontrava, as chaves diziam que não serviriam para abrir suas portas.
extraído do Livro dos Abraços
...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
novo, de novo?
O novo
não é mais novo
não tem nada mais
nada de novo
tão novo quanto
a velha dúvida:
Quem nasceu primeiro:
a galinha ou o (n)ovo?
terça-feira, 24 de julho de 2007
Casos e acasos
Acaso nada poder
podendo causar nada
nada poderá causar
Acaso restando nada
restando nada causar
nada causará restar
quarta-feira, 13 de junho de 2007
TRUQUE
MOVIMENTO
Uma montanha se moveu
[pensamento honrou-mérito]
...objeto moveu
[cartas desmancha-castelo]
...olhar moveu
[enviou mensagem-despautério]
..veia moveu
[coração bate-martelo]
...sentimento moveu
[mostrando instante-belo]
[pensamento honrou-mérito]
...objeto moveu
[cartas desmancha-castelo]
...olhar moveu
[enviou mensagem-despautério]
..veia moveu
[coração bate-martelo]
...sentimento moveu
[mostrando instante-belo]
segunda-feira, 14 de maio de 2007
CRIVO
Dentro de toda indiscrição submissa do compromisso altivo e relapso, existe uma severa corrente que produz intolerâncias e discrepâncias relativas.
O complexo é que na alteridade relativamente composta de vicissitudes e turbulências acromáticas, sempre há por vir uma emblemática e solucionática versão.
O fato se escriva do percurso ambulante, podendo em pequenos instantes desvincular a faculdade de racionar do paraíso elevante da insanidade mental.
A possibilidade se altera aos fatores premunidos de aceitação, e eleva o conteúdo estabilizado ao estado de dormência, descobrindo assim, que o caminho inutilizado mais provável nem sempre é o extremo do caminho convencional.
O complexo é que na alteridade relativamente composta de vicissitudes e turbulências acromáticas, sempre há por vir uma emblemática e solucionática versão.
O fato se escriva do percurso ambulante, podendo em pequenos instantes desvincular a faculdade de racionar do paraíso elevante da insanidade mental.
A possibilidade se altera aos fatores premunidos de aceitação, e eleva o conteúdo estabilizado ao estado de dormência, descobrindo assim, que o caminho inutilizado mais provável nem sempre é o extremo do caminho convencional.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
OSSO E BAGAÇO
Se, destas frases tolas que ouço
houver apenas um trago
da poesia suja que me alimenta
poderei ao menos brindar
a incoerência destes fatos
poderei apenas destilar
o run da ignorância
poderei apenas desligar
o aparelho da sentença
Se, destes olhos fracos que enxergo
houver apenas uma dose
da percepção que me orienta
poderei ao menos escapar
da impotência dos fatos
poderei ao menos segregar
o frasco, a fragrância
poderei ao menos distanciar
o espelho do meu rosto
Se, destas poucas palavras restar apenas eu
fico eu sendo resto delas
fico eu sendo o osso
fico sendo eu o osso e o bagaço
houver apenas um trago
da poesia suja que me alimenta
poderei ao menos brindar
a incoerência destes fatos
poderei apenas destilar
o run da ignorância
poderei apenas desligar
o aparelho da sentença
Se, destes olhos fracos que enxergo
houver apenas uma dose
da percepção que me orienta
poderei ao menos escapar
da impotência dos fatos
poderei ao menos segregar
o frasco, a fragrância
poderei ao menos distanciar
o espelho do meu rosto
Se, destas poucas palavras restar apenas eu
fico eu sendo resto delas
fico eu sendo o osso
fico sendo eu o osso e o bagaço
domingo, 22 de abril de 2007
ESPAÇOS VAZIOS (ACIMA DE NOSSOS PÉS E ABAIXO DE NOSSAS CABEÇAS)
Além dos olhos que me guiam todos os dias, e das lembranças fartas de misericórdia, vi, através do mais simples desejo, novas formas de desfrutar diminutos espaços.
Entregue ao compasso desvinculado da razão, saltei sobre a valeta que criava uma divisão em torno de minhas decisões.
Em todos horizontes foi possível descobrir falhas. Espaços vazios camuflados. Lacunas invisíveis. Portas sem trinco. Lugares sem endereço. Palavras ausentes de som e forma.
Diminutos espaços: quase desfrutados.
...
Entregue ao compasso desvinculado da razão, saltei sobre a valeta que criava uma divisão em torno de minhas decisões.
Em todos horizontes foi possível descobrir falhas. Espaços vazios camuflados. Lacunas invisíveis. Portas sem trinco. Lugares sem endereço. Palavras ausentes de som e forma.
Diminutos espaços: quase desfrutados.
...
segunda-feira, 9 de abril de 2007
LENTAMENTE
Se o olho não falasse além
e a lentidão que causasse o sentido, porém
não causasse-o somente,
e além não falasse freqüente
todo ser seria existente
no momento, sentido diferente
causar-se-ia uma lombeira
no olho do sentido ausente
que da lentidão de sentir além
lentamente o deixaria crente
domingo, 18 de março de 2007
CUSPE (AINDA MESMO QUE SEQUE A SALIVA)
Ventre sedento gozado de flores
...
saia do tempo teu
cuspa fora teu caos de amores
...
SER (NO AMPLO SENTIDO DO QUE SE PODE SER)
Se ao menos estivesse sendo
todo ser seria sereno
...
brincando de ser nesse mundo pequeno
todo ser seria sereno
...
PERTO-PASSO (PASSANDO À PASSOS LENTOS)
Aperte o passo
passe por perto
por passe-apertado
passo-alerta
passo-aperte
passado por perto
Aperte: passo-forte
passaporte-alerta
passa: porta-apertada
por passado perto
pé-par, por perto
Passo, posso, peça
apertando o passo
pé por perto
passado perto passo
pequeno ex-perto
...
passe por perto
por passe-apertado
passo-alerta
passo-aperte
passado por perto
Aperte: passo-forte
passaporte-alerta
passa: porta-apertada
por passado perto
pé-par, por perto
Passo, posso, peça
apertando o passo
pé por perto
passado perto passo
pequeno ex-perto
...
INCIDENTE
Do que vivi, não peço-me desculpas
Do que deixei de viver, acato como potencial
Crio-me ao acreditar na capacidade do entendimento [mesmo sem entendê-lo]
Faço-me de prosas e versos, palavras sintéticas
Sou poeta, na mais pura incompetência de escrever
Numa auto-investigação,
Na psicografia do meu inconsciente
Escrevo-me, sem saber o que escrever
Provoco-me num absorvente sentimento
Falsa intimidade, farta em detalhes
Desdobrada pelo bel prazer de transformar
Escrevo porque organizo meu submundo
Concilio-me com meus fantasmas
Reconstruo-me nas consoantes e vogais
Destroços de verdades naufragadas em correções ortográficas
Que consolidam a quilha do meu barco literal
Veda os furos um a um
Criando um possível acidente na inquietação de minhas idéias
Do que deixei de viver, acato como potencial
Crio-me ao acreditar na capacidade do entendimento [mesmo sem entendê-lo]
Faço-me de prosas e versos, palavras sintéticas
Sou poeta, na mais pura incompetência de escrever
Numa auto-investigação,
Na psicografia do meu inconsciente
Escrevo-me, sem saber o que escrever
Provoco-me num absorvente sentimento
Falsa intimidade, farta em detalhes
Desdobrada pelo bel prazer de transformar
Escrevo porque organizo meu submundo
Concilio-me com meus fantasmas
Reconstruo-me nas consoantes e vogais
Destroços de verdades naufragadas em correções ortográficas
Que consolidam a quilha do meu barco literal
Veda os furos um a um
Criando um possível acidente na inquietação de minhas idéias
VIDE BULA
Não fuja do que tu és. Acalme-se. Busque a vida que a vida lhe buscará. O segredo não está em ir sempre mais fundo no imenso lago. Ele pode estar em vários lugares ao lado de onde você sempre existiu. Em profundidades tão rasas quanto a superfície.
...
quinta-feira, 1 de março de 2007
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
ROSAS E PROSAS NO VERSO
Rosas e prosas no verso
exaltantes olhos brilhantes
lábios cortantes e incertos
distraindo momentos-intantes
Essência central descentrada
unidade do universo-sentimento
necessidade de purificação travada
finito-infinito em momentos
Impulso irracional insatisfeito
necessidade tragicamente enganosa
finalidade fundamental de direito
fábula fascinante em prosa
Crítica irredutivelmente realista
alienação de desejos e esperanças
enigma da existência monoteísta
hierarquia-guia do homem-criança
Pleno, autêntico e carnal
redutor propositalmente ofuscado
direção especulativa anti-material
encontro sálvico consagrado
Perpectiva pessimista e conflitante
série de contradições inextricáveis
fraternidade universal intrigante
fecundidade de gerações implacáveis
Limitante da liberdade alheia
inesperança sem lógica e sujeição
impessoalidade celebrando ceia
ao bem, à beleza, doce-paixão
Ciência sem ciência, universo latente
paixão-tendência da ação imoral
caridade oculta: quando não se entende
repouso de paz, além-carnal
Lealdade sagrada, força da profecia
condução à vida bem-aventurada
indiscrição sedativa da noite-dia
posse inevitável, frustrada
Finalidade principal da lei divina
semelhança com efeitos submersos
manual de poesia que ensina
rosas e prosas no verso
...
exaltantes olhos brilhantes
lábios cortantes e incertos
distraindo momentos-intantes
Essência central descentrada
unidade do universo-sentimento
necessidade de purificação travada
finito-infinito em momentos
Impulso irracional insatisfeito
necessidade tragicamente enganosa
finalidade fundamental de direito
fábula fascinante em prosa
Crítica irredutivelmente realista
alienação de desejos e esperanças
enigma da existência monoteísta
hierarquia-guia do homem-criança
Pleno, autêntico e carnal
redutor propositalmente ofuscado
direção especulativa anti-material
encontro sálvico consagrado
Perpectiva pessimista e conflitante
série de contradições inextricáveis
fraternidade universal intrigante
fecundidade de gerações implacáveis
Limitante da liberdade alheia
inesperança sem lógica e sujeição
impessoalidade celebrando ceia
ao bem, à beleza, doce-paixão
Ciência sem ciência, universo latente
paixão-tendência da ação imoral
caridade oculta: quando não se entende
repouso de paz, além-carnal
Lealdade sagrada, força da profecia
condução à vida bem-aventurada
indiscrição sedativa da noite-dia
posse inevitável, frustrada
Finalidade principal da lei divina
semelhança com efeitos submersos
manual de poesia que ensina
rosas e prosas no verso
...
DÍVIDAS
Frisei as garras do ódio
joguei fora verdades
Apostei todos dados
sem saber os problemas
Tudo fez-se de conta:
fiz do medo ópio
joguei fora verdades
destilei-me à cortes
Apostei todos dados
vinguei soluções
sem saber os problemas
desfragmentei meus átomos
Tudo fez-se de conta:
e as contas todas foram pagas
...
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
VIDA DO EU
Mais um dia na vida do Eu:
um sonho assim nasceu
sem Ninguém desconfiar
mesmo Ninguém sendo Eu
Alguém foi alcançar
Sonhou assim como Eu
mas Ninguém quis acreditar
que Alguém assim como Eu
pudesse assim sonhar
Então, mais um sonho na vida do Eu
foi se realizar
Sem Ninguém atrapalhar
sem Alguém mal olhar
Do sonho que assim nasceu
só restará
Ninguém, Alguém
assim como Eu
DO MAR...
Mar imenso-aberto
ondas destino-coração
gosto sabor-mistério
sonho em mãos pegá-lo
--------------------------------
O mar é como se fosse proporcionalmente o inverso de um soro caseiro:
já possui a água com uma colher de sal,
esperando-nos como uma pitada de açucar.
---------------------------------
O mar
sete ondas numa vida
seio farto
mar
horizonte despedida
---------------------------------
Mar
pai-avô-filho
lembrança-rede-peixe
segredo-morte-vida
remédio-olho-alma
...
ondas destino-coração
gosto sabor-mistério
sonho em mãos pegá-lo
--------------------------------
O mar é como se fosse proporcionalmente o inverso de um soro caseiro:
já possui a água com uma colher de sal,
esperando-nos como uma pitada de açucar.
---------------------------------
O mar
sete ondas numa vida
seio farto
mar
horizonte despedida
---------------------------------
Mar
pai-avô-filho
lembrança-rede-peixe
segredo-morte-vida
remédio-olho-alma
...
A epilepsia de um tom qualquer
Mãos nas cordas
cordas vocais não falham
notas, passam, passam
suaves, agudas, estranhas
relaxo em si
espelho do sol
ardente sem dó
(enquanto isso)
eletrizam escamas dormentes
...
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
OUSADIA
Brinde ao som das borboletas
pairando sobre a gravidade
estetizando céu adentro
desenhando o ar
desfrutando liberdade
E para os leigos:
Quem ousará dizer que foi lagarta?
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
DA SAUDADE...
Saudade corta-lábios
beijos boca-tesão
cheiro mel-suor
desejo pecado-carne
************************
Saudade é o tempo
tempo que não passa
enquanto passa o tempo
************************
Saudade morta-mata
sentido vivo-viva
sentido morte-mata
saudade vide-vida
************************
Saudade
espinho crú de nervo e calo
pote d'água sem gargalo
Saudade
truque de carta fora do baralho
************************
Saudade
lembranças cristalinas
bomba sem efeito moral
ineficácia do poder
saudade
hino impossível de esquecer
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
GOTAS DE ORVALHO
O sol se revalida
ao céu pede carona
enquanto caem gotas de orvalho
sobre pés descalços
rachados pelo esforço diário
quando nada mais se encanta
sob a totalidade nada se distrai
me lembro quando criança
brincar de olhar o sol nascer
ao longo da mansidão
luz que irradiava
aquecia a alma
enquanto isso
caiam gotas de orvalho
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
TRANSE 3 (UM DIA, DEPOIS DA CRIAÇÃO)
Descendo ao paraíso
profundamente imaginário,
comi a maçã
arrotei Eva.
CAMUFLAGEM
Escalei o morro dos sonhos
procurando o paraíso
no primeiro dia
o pecado bateu à porta
entrou aos olhares primeiros
conspirou sob dermes e salivas
abusou do meu eu
Sussurrou pelos lábios dela
transpirando prazeres
E como fiel seguidor dionisíaco
não rejeitei-me ao acaso
bulinei-me corpo e mente
afoguei meu ego
demasiadamente afinei meu instinto
no mar vermelho da sedução
mergulhando entre libidos e ilusões
fascinando aparentemente minha razão
que se destruía com a metástase ardente
e assim foi
camuflando-se
entorpecendo-me com o gosto passional do desejo
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
REFLEXÃO - DESENCADEADO
Procuro não prender-me a um só estilo. Prefiro arriscar-me ao anticonvencionalismo, ao pacto com as idéias não-concebidas e aparentemente distantes. Acredito que o grande barato da poesia é ausentar-se de regras. É tão fácil copiar estilos ao invés de tentar criá-los, encontrar erros ao invés de tentar entendê-los, calar-se ao invés de arriscar-se, dificultar-se. Tão cômodo ter senso comum. O experimentar pode ser a chave para a inovação perceptiva, desencadeando uma abertura atemporal de qualquer estabilidade racional.
José Eduardo Calcinoni
OUTROS
Outro este? Porque não?
Se acaso fosse outro, igual não seria?
Se igual fosse outro, como explicaria?
Cópias? Outros como outros?
Mas se outros como outros:
A essência sobreviveria?
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
RESPOSTA
Essa fonte de idéias que gera a arte de escrever nem parece às vezes que é inesgotável. Os black-out's mentais ocorrem freqüentemente no cérebro poético. Há horas, dias, meses, que às vezes passam em vão. Mas será que realmente passam em vão? Muitas idéias precisam de um período mínimo de gestação, seja no inconsciente, ou seja, informações já escritas e armazenadas. Assim como as fétidas fezes de alguns animais se transformam em poderosos e incomparáveis adubos, as palavras precisam também de um período de curtimento. Digamos que, assim como uma planta, ela nasce semente, cresce, floresce e produz seus frutos - nem sempre bons. Tudo pode ser aproveitado de alguma forma para alguma coisa. O sentido só faz sentido se o buscarmos. Talvez a busca seja o próprio sentido, no sentido de que buscando nos desviamos por atalhos sensitivos que nos preparam em "banho-maria", temperando e desengenhando o estável e o improvável.
MAIS
Dizer
Mais do que se possa sentir
Sentir
Mais do que dizer palavras
Olhar
E nada ver
Ver
Além do que se possa olhar
Escrever
Algumas palavras assim
Assim
Mais do que dizê-las
ABANDONO
Abandono
falta de inspiração
más idéias
álcool, gordura e samba
desafino
incanções
Osso do Bagaço
abandono-me
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
JORNADA - PARTE 2 - CAMINHANDO
Já no mais puro desejo de navegar e naugrafar no oceano da trangressão racional, para que assim pudesse ultrapassar um obstáculo emblemático e tão antigo quanto o instinto de reprodução das espécies, eu progressei deixando as primeiras pegadas da minha jornada.
No primeiro altar que subi, pedi à Zaratustra um golpe de luz, que pudesse desencadear minhas mais leves reações e petrificar os sentimentos que poderiam vir à ser minha cruz.
Saindo da região totalmente devastada de idéias, esbarrei num objeto misterioso e reluzente. Era um medalhão dourado. Nele, estava escupido um símbolo e letras à qual não tive menor noção. Guardei-o no peito como se fosse um amuleto de proteção, pois passei a acreditar que assim o fosse.
Retirei das minha tralhas um velho livro, de orelhas grandes, empoeirado, e, o abri de forma simples, na mais subjetiva intenção, prevendo que aquilo seria uma pista para meu próximo passo.
Então, na linearidade - justo aquela que nunca quis - do pensamento momentâneo, joguei o amuleto num lago de percepções reais, mas inexistentes. Deixei fluir somente oxigênio em meu corpo, meditando por alguns minutos, e aceitando mais uma vez meu estado imprevisível de decisão.
No primeiro altar que subi, pedi à Zaratustra um golpe de luz, que pudesse desencadear minhas mais leves reações e petrificar os sentimentos que poderiam vir à ser minha cruz.
Saindo da região totalmente devastada de idéias, esbarrei num objeto misterioso e reluzente. Era um medalhão dourado. Nele, estava escupido um símbolo e letras à qual não tive menor noção. Guardei-o no peito como se fosse um amuleto de proteção, pois passei a acreditar que assim o fosse.
Retirei das minha tralhas um velho livro, de orelhas grandes, empoeirado, e, o abri de forma simples, na mais subjetiva intenção, prevendo que aquilo seria uma pista para meu próximo passo.
Então, na linearidade - justo aquela que nunca quis - do pensamento momentâneo, joguei o amuleto num lago de percepções reais, mas inexistentes. Deixei fluir somente oxigênio em meu corpo, meditando por alguns minutos, e aceitando mais uma vez meu estado imprevisível de decisão.
JORNADA - PARTE 1 - O COMEÇO
Meu golpe começou a instalar-se com um Distúrbio Bipolar de Animo, e conseqüentemente, acabou levando-me ao óbito do décimo sexto sentido que desenvolveria.
O que poderia agora um Cavalheiro de Verona como eu tentar desfrutar da própria ânsia de escrever elevando apenas o ato de que não decriptei meus rotores cerebrais?
Enquanto todos lá ficaram rodeados de mosaicos, tentando a purificação, eu acreditava [ainda que muito pouco], que o auxílio psicoterápico dos monoteístas, não efetuaria na própria distinção das confrarias dos Nagôs e Yorubas.
Saí em busca do visionário acrônico, que o chamavam de Pentateuco, onde agrega respostas para algumas interrogações crônicas de minha constante jornada.
Todas as pistas que deveriam levar-me ao êxito, me alertaram que o começo seria tão díficil e tão requisitado quanto o meio e fim [se é que assim posso reparti-lo].
No sopé do monte Horebe, logo após o lago de sangue [ou groselha se assim melhorar], recebi apenas mais uma de minhas rotineiras visões que não me esclareciam absolutamente nada.
O que poderia agora um Cavalheiro de Verona como eu tentar desfrutar da própria ânsia de escrever elevando apenas o ato de que não decriptei meus rotores cerebrais?
Enquanto todos lá ficaram rodeados de mosaicos, tentando a purificação, eu acreditava [ainda que muito pouco], que o auxílio psicoterápico dos monoteístas, não efetuaria na própria distinção das confrarias dos Nagôs e Yorubas.
Saí em busca do visionário acrônico, que o chamavam de Pentateuco, onde agrega respostas para algumas interrogações crônicas de minha constante jornada.
Todas as pistas que deveriam levar-me ao êxito, me alertaram que o começo seria tão díficil e tão requisitado quanto o meio e fim [se é que assim posso reparti-lo].
No sopé do monte Horebe, logo após o lago de sangue [ou groselha se assim melhorar], recebi apenas mais uma de minhas rotineiras visões que não me esclareciam absolutamente nada.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
REFLEXO SÃO – BOSQUES-LOUCURA-ECO
A loucura é a profundidade abaixo da razão. A razão é a superfície de um lago-idéias-pensamento, que ultrapassada eleva a pressão-ágil-criação, nos libertando da decadência-moral-legal. É o pólen que origina o mel-instinto-inconsciência.
ANSEIO SISTEMÁTICO
Entre intrépidos sabores, o mais distante é o que sinto. Distante no sentido do normal. Normal que é o próximo do que somos — ou do que achamos ser, ou querem que sejamos. Seres impecáveis, implacáveis. Tolos sós. Sentindo a todo instante o sabor do pecado. Se é pecado original ou não? Não sei! O que importa é que nos liberta de um abismo sórdido e moribundo, rodeado de censos-comuns, papais-mamães, e, resultantes da simétrica razão. O sabor provém das misturas-sistêmicas — no amplo sentido da união substancial, porém, conservando suas propriedades específicas, resultando uma diversidade minimamente alcançada, onde o minimamente seja cada vez mais distante.
FLOR-HORMÔNIO
Caiu noite-tensa
Temeu medo-amante
Amou flor-primeira
Floriu essências-poucas
Subiu teto-céu
Serviu corpo-mente
Mentiu instinto-carne
Instituiu sintético-prazer
Desintegrou bruta-matéria
Bravejou presa-dentes
Preveu ferormônio-calor
Morreu gozo-primeiro
UIVOS
Passei pela rua dos prazeres
Roubei da donzela um convencional beijo
Cruzei a ruela afogado de salivas
Li Vatsyayana,
Atingi ao Artha, Dharma e o Kama
Joguei no lixo a imperfeição
Matei todas minhas ânsias
MATA-VIRGEM-MATO
Não me mato de saudade
Mato-me no mato
Mato, saudade mata
Mata-virgem, mata-saudade
Saudade-morta, virgem-mato
Mata no mato-virgem saudade
Saudade de mato-não-mata
Virgem não mata saudade
Mato-me no mato
Mato, saudade mata
Mata-virgem, mata-saudade
Saudade-morta, virgem-mato
Mata no mato-virgem saudade
Saudade de mato-não-mata
Virgem não mata saudade
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
TOLICE
O abismo das imaginárias e absurdas tolices
Desperta sedentamente o vinho do prazer
Embriaga ao ritmo obsessivo do acaso
Desconserta o caminho restrito de algumas palavras
Abandona o medo convencional crônico
Desobstrui as vias, veias e velhas manias
Mostra um caminho distante apenas da razão
Próximo de um lugar onde inconscientemente desejamos estar
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
ESPAÇO DRUMMONDIANO
O que muda na mudança
se tudo em volta é uma dança
no trajeto da esperança
junto ao que nunca se alcança?
se tudo em volta é uma dança
no trajeto da esperança
junto ao que nunca se alcança?
LENDA QUE VIROU LENHA OU LENHA QUE VIROU LENDA?
Lá, daquela árvore
que caiu a casca
soltou a tinta
que pintou o pano
tingiu a rede
Lá, daquela árvore
que virou lenha
INCERTO
Orgasmo direto do sujeito composto
sentido no vácuo do pretérito perfeito
ouvido na imperfeição
do verbo intransitivo direto
Esquecido pelo sujeito simples
lembrado pelo superlativo oculto
absoluto num só instante
não é démodé nem moderno
Modernidade escrota entravada teoricamente
reduzida ao ninho na tocaia do vazio
reduto acéfalo bulinado
pela proeza do que se diz esperto
Artifício do provérbio babilônico naufragado
masturbado na massa cinzenta diluída
inutilidade contrária
ao raciocínio sequelado e incerto
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
BAGAÇO
Que vida é essa?
Quanto poder de nada poder?
Carona com a solidão
Destino aberto
Bagaço de idéias furtas
Vida, vida, amada vida
Ama-me e não traia-me
PACTO
Descabido pensamento
Inconstante pecado
Rodeia-me com fogo
Trata-me como escravo
Concede-me ao jogo
Sublime pacto
corpo e mente
NÃO DEIXE EM VÃO
Tanto tempo longe
Tampouco para estar lá
Tão perto sempre
Parece não estar
Tempos longos e distantes
Tempos sem se achar
Às vezes o instante de agora
O melhor tempo
Como se fosse inevitável
Único, descobrir
Não o faça amanhã
Hoje, não deixe em vão
Tampouco para estar lá
Tão perto sempre
Parece não estar
Tempos longos e distantes
Tempos sem se achar
Às vezes o instante de agora
O melhor tempo
Como se fosse inevitável
Único, descobrir
Não o faça amanhã
Hoje, não deixe em vão
COGUMELO PLATÔNICO
Mas afinal o que é o amor?
Um tema filosófico, teológico, artístico, místico?
O escrevemos, pensamos, falamos, sentimos?
Um tema filosófico, teológico, artístico, místico?
O escrevemos, pensamos, falamos, sentimos?
Alguns pensadores consideram o amor como uma dimensão exclusivamente humana. Outros vão mais além utilizando determinação do divino como fundamentação, principalmente do seu lado dito positivo — relacionado ao amor de Deus e a sua importância para alcançar a salvação.
Platão foi o primeiro pensador ocidental capaz de elaborar uma reflexão específica e ampla sobre o assunto — que até hoje é inevitável termo de referência.
Em sua concepção o amor é uma força grande e poderosa que se caracteriza no impulso que se dá ao ser humano sinceramente sedento de sabedoria, e por isso dócil a tal impulso, a fim de superar as baixezas da vida material e da experiência sensível para elevar-se rumo às alturas do mundo ideal situado além do mundo físico, onde, segundo Platão, residem a Beleza, a Verdade e o Bem na sua pureza perfeição.
Para Platão o amor significa a disposição para elevar-se em busca do que é eterno, perfeito e imutável. Neste sentido o “amor platônico” revela a sua natureza essencialmente filosófica. Esse amor lança uma ponte entre o universo sensível e o universo puramente inteligível, entre o universo corpóreo e o espiritual, entre o relativo e o absoluto, entre o contingente e o necessário, entre o particular e o universal.
Sendo assim, a condição humana é caracterizada por uma espécie de escravidão da alma em relação ao corpo. O amor, porém, poderá ajudar a alma a reconquistar a sua posição primitiva e originária, contanto que as paixões não ofusquem demasiadamente seu lado positivo, isto é, um lado que, ao contrário, é justamente capaz de exaltar sobremaneira, possibilitando de fato a reunificação da alma com a trancedência.
Se o amor é somente um assunto relacionado à especulação teológica, não sei. Sei que todos os filósofos direcionam atenção especial. Sei que movimenta nossas mais diversas espectativas.
“O amor Platônico é cogumelo:
nasce, cresce,
suas propriedades criam pontes entre universos”
terça-feira, 28 de novembro de 2006
CONJUGANDO
Verbo 1
Eu mando
Tu mandas
Ele manda
Nós mandamos
Vós mandais
Eles obedecem
Verbo 2
Eu mando
Tu mandas
Ele obedece
Nós mandamos
Vós mandais
Eles obedecem
Verbo 3
Eu mando
Tu obedeces
Ele olha
Nós mandamos
Vós obedeceis
Eles olham
Verbo 4
Eu não obedeço
Mas tu não mandas
Ele apenas olha
Nós não obedecemos
Mas vós mandais
Eles nem mais olham
Ninguém faz porra nenhuma
Eu mando
Tu mandas
Ele manda
Nós mandamos
Vós mandais
Eles obedecem
Verbo 2
Eu mando
Tu mandas
Ele obedece
Nós mandamos
Vós mandais
Eles obedecem
Verbo 3
Eu mando
Tu obedeces
Ele olha
Nós mandamos
Vós obedeceis
Eles olham
Verbo 4
Eu não obedeço
Mas tu não mandas
Ele apenas olha
Nós não obedecemos
Mas vós mandais
Eles nem mais olham
Ninguém faz porra nenhuma
EXUBERÂNCIA
Só os loucos caminhos retratam
Uma exuberante forma abstrata
Distintas palavras várias
Impondo situação precária
Paixão pela forma inexistente
Reluzindo a mente como espelho
Enxergando o que se sente, apenas,
Evitando o que está a frente
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
ESTRANHO - 1
Ele olhou-a com olhos ímpetos de malícia. Ela passou e evitou-o friamente. Ele, no impulso irracional do fervor, alcançou-a e atirou pétalas e versos poéticos da mais pura inspiração. Conquistou-a. Então, fechou os ímpetos olhos, e pôs em prática suas malícias.
terça-feira, 21 de novembro de 2006
APENAS AQUILO QUE PODE SER MAIS
Sobre a areia
energizo-me
disparo pensamentos imaculados de razão
jardim sem borboletas
flores falsas
terra pobre
piso na areia que não existe
não tem passo nem leveza
apenas energia
que fantasia pensamentos
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
SOLUÇÃO
Ah! Pobre Luiziane! Sempre estava em seu canto, só. Quem via de fora sempre era solidário à causa. Ela repudiava seus colegas. Só conversava com garotos mais velhos e dos colégios particulares. A mãe de Luiziane era diarista e o pai vigilante noturno, ambos, dignos cidadãos. Diziam pelos corredores que ela "comia sardinha e arrotava caviar". Ah! Pobre Luiziane! Estava até com soluço!
SAPO 3
Um sapo de gravata e salto alto desfilava pelas margens do lago. O sapo estava em campanha. Cantava e seduzia à anfíbios e insetos. As eleições dessa estação serão através do voto direto. Seus descendentes anuros nunca governaram a lagoa, porém, agora como míseros excluídos, são maioria. Seus maiores inimigos, que comiam os rivais, hoje se rastejam em outras lagoas, e os que ficaram, são aliados. Até na própria natureza sapos aliam-se à répteis em busca do poder. Talvez a explicação venha da ciência:"...são ectotérmicos, ou seja, a temperatura do corpo varia de acordo com a temperatura do ambiente". E que também afirma: "Os répteis põem menos ovos que os peixes e anfíbios, pois o sucesso reprodutivo é maior". Os anuros e seus decentes são em maior proporção, são a base do sistema que insiste em ser massa de manobra. Será que homem imita a natureza ou é essa a natureza do homem?
SAPOS 2
SAPOS 1
OU VI E FIQUEI SURDO
Ouvi do mesmo ouvido
ou, vi do mesmo que ouvi
absurdo
surdo, fiquei
quando vi
percebi
nada tinha ouvido
ou, vi do mesmo que ouvi
absurdo
surdo, fiquei
quando vi
percebi
nada tinha ouvido
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
ALICE
Alice nasceu Alice
Alice cresceu Alice
Alice formou-se Alice
Alice casou-se Alice
Alice procriou-se Alice
Alice envelheceu Alice
Alice morreu Alice
Ali, se encontra um túmulo
Ali, se descobriu Alice
Alice cresceu Alice
Alice formou-se Alice
Alice casou-se Alice
Alice procriou-se Alice
Alice envelheceu Alice
Alice morreu Alice
Ali, se encontra um túmulo
Ali, se descobriu Alice
MALANDRINO
Galante urbano
trappolatore machiavellico
tenero vagabondo
cane selvaggio
Impatto favoloso
Indelicato malfattore
vampiro legittimo
sesso traditore
trappolatore machiavellico
tenero vagabondo
cane selvaggio
Impatto favoloso
Indelicato malfattore
vampiro legittimo
sesso traditore
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
M I J O
Estava mijando no banheiro quando de repente algo estranho aconteceu. Escapou aquele jato — perdi assim todo o controle sob meu pinto — carimbando a tampa da privada. Olhei ao lado: no chão, duas possas reluziam aquele líquido segregado pelos rins. Uma bela arte. O brilho intenso lembrou-me as orientais pinturas. Relacionei o fato com minhas teias de conhecimento. Lembrei-me de quando criança: brincava na hora de mijar. Fazia do ato um verdadeiro espetáculo. Tinha o mijo agressivo: aquele que sai com tanta pressão que o sujeito chega a prender a respiração. O barulho da urina em contato com a água da privada parece uma sinfonia xixilarmônica. O mijo reflexão: aquele que você fica horas de pé, olhando para o bilau e nada — enquanto isso se faz uma reflexão da vida, de repente ele começa a sair aos poucos, como uma bela borboleta destruindo seu casulo para voar majestosamente sob os céus. E aquele outro tipo que parece uma espingarda de cano duplo : saem dois tiros contínuos de água prontos para apagarem as chamas da imaginação. Não poderia deixar de fora aqui o mijo à distância, muito praticado na infância e adolescência. Segura-se o corpo do instrumento com força e faz-se pressão interna. Solta-o de uma vez e aquela mistura — água, uréia, ácido úrico e sal — levanta vôo batendo recordes. Há quem conte que certos indivíduos já ultrapassaram a marca de 10 metros, mas aí já entramos em outros méritos. Além disso, existe um fato constrangedor: mijar na cama. Engraçado, na maioria das vezes que isso aconteceu, sonhava que estava fazendo xixi, bem tranqüilo no banheiro. Sentia aquele prazer enorme: pura inocência! No inverno era até gostoso! Tem gente que acha que é só uma incontinência urinária necessária, mas o lado poético do ato de mijar viaja milhas e milhas além. Afinal, como no raciocínio publicitário do Neston, existem mais de mil e uma formas de mijar! Invente a sua!
ECCE HOMO SAPIENS
Eis o homem
sacerdote de seu princípio
aprendiz de filósofo Dionisíaco
o homem, seu próprio ídolo
irremediavelmente fatal
Ressentido, nascido de fraquezas¹
não é prejudicial a ninguém mais
que ao próprio fraco
guerreiro que vinga seus problemas
atira pétalas e chumbo
crítico da modernidade
fã da liberdade
radical em seus valores
em busca de sua maior esperança
infectado pela mágoa em si
insano pela religião e moral
mais um alto "astro do ser"
escolhido ao exílio
precipita-se com prazer no acaso
governa o mundo
chamavam-o de inspiração
eis o homem
tão silencioso quanto um canhão²
antes do tiro
1 - fragmento retirado do livro Ecce Homo (Friedrich Nietzche)
2 - frase de Heine
sacerdote de seu princípio
aprendiz de filósofo Dionisíaco
o homem, seu próprio ídolo
irremediavelmente fatal
Ressentido, nascido de fraquezas¹
não é prejudicial a ninguém mais
que ao próprio fraco
guerreiro que vinga seus problemas
atira pétalas e chumbo
crítico da modernidade
fã da liberdade
radical em seus valores
em busca de sua maior esperança
infectado pela mágoa em si
insano pela religião e moral
mais um alto "astro do ser"
escolhido ao exílio
precipita-se com prazer no acaso
governa o mundo
chamavam-o de inspiração
eis o homem
tão silencioso quanto um canhão²
antes do tiro
1 - fragmento retirado do livro Ecce Homo (Friedrich Nietzche)
2 - frase de Heine
REFLEXO: 1
Vendo assim o mundo
acredito a cada segundo
que acreditar assim num mundo
e assim vê-lo a cada segundo
seja plenamente profundo
tão quanto acreditar nesse mundo
acredito a cada segundo
que acreditar assim num mundo
e assim vê-lo a cada segundo
seja plenamente profundo
tão quanto acreditar nesse mundo
MOMENTO (ALGUM, DE ALGUMA SÉRIE)
Nada vejo além deste momento
sempre, além, vejo assim mesmo
Isso não passa de um vício
não caminho pra lugar algum
Existiam, fés-de-meia, pés-de-meia
acreditavam que tudo fim teria
Nada passa por minha prudência
além do vento cortante
míseros larápios
não entenderão a simplicidade
simples igualdade
pluralidade
denominarão como um descarte
Isso não passa de um erro qualquer
não caminho pra lugar nenhum
ficamos sós
(aspecto de profundo conhecimento)
momento protesto
somente
Nada vejo, além deste
e sempre, além, vejo-o
sempre, além, vejo assim mesmo
Isso não passa de um vício
não caminho pra lugar algum
Existiam, fés-de-meia, pés-de-meia
acreditavam que tudo fim teria
Nada passa por minha prudência
além do vento cortante
míseros larápios
não entenderão a simplicidade
simples igualdade
pluralidade
denominarão como um descarte
Isso não passa de um erro qualquer
não caminho pra lugar nenhum
ficamos sós
(aspecto de profundo conhecimento)
momento protesto
somente
Nada vejo, além deste
e sempre, além, vejo-o
POETAS & GERMES
Decompõe-se no papel
estranhos eles
impercebíveis
como verdades
destacam-se por não destacar-se
planos vencidos
fio da faca imaginária
luz invisível
calibre da tinta
musgo do ventre
germinam
poetas e germes
PROCESSANDO
Cúmplice processo
abcesso oculto
luto distante
constante esfera
Espera mista
egoísta instante
à vante acaso
apreço místico
Nocivo lar
mar submisso
omisso abismo
cismo esteriótipo
neurótica evolução
AMORE ILLECITO
Imbecilità inabile
lezione liberale
letale libertà
Flaccidezza felice
filosofo forestiero
romanzo sanguinante
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
CASO 2: NEGAÇÃO
Que dia: nada dá certo! Tentei me distrair. Não consigo tirar das cabeças. Noite passada: mal dormida. Sonhos embaralhados. Muito estranho. A única coisa que senti: sentimento de culpa. Afirmo: não sou culpado! Não sou culpado! Puta que o pariu! É a primeira vez que isso acontece. Tenho três filhos, 52 anos bem vividos, não vai ser agora que vou tomar esse tal Viagra.
CASO 1: SEDUÇÃO
Só de vê-la saciava uma fonte inesgotável de desejo. Adoro o cheiro. Pele bronzeada atrai o pecado. A cada mordida sinto um intenso gozo. Imenso sentimento de arrependimento. Mas, o instinto animal é fiel traidor. Hoje, com 31 anos, 126 kg, estou completamente decadente. Não como ninguém além da comida. Maldita gula!
Vício 2
O galo cantava quando fui dormir. Acordei o sol já estava brincando de esconder. Assim, vários dias corridos à fio.
[Sinto que esse lado "boêmio-poético" está alterando meu funcionamento biológico e espacial.]
Só percebi quando a segunda-feira chegou.
[Sinto que esse lado "boêmio-poético" está alterando meu funcionamento biológico e espacial.]
Só percebi quando a segunda-feira chegou.
Vício 1
Passava de duas da madruga quando levantou da cama. Dirigiu-se à cozinha para comer algo. Tentava dormir à horas. Resolveu confrontar a insônia. Comeu levemente, escovou os dentes. Voltou para a cama e sentou. Retirou do criado mudo um caderno onde descrevia detalhes das noites de insônia. Sempre fiel ao horário. Despertou através da insônia um grande talento, e nem percebeu, que há muito tempo não sofre mais desse mal.
Frusto
Carlos foi o primogênito de um casal da alta sociedade. O sonho dele sempre foi ser músico. Os pais nunca aceitaram. Formou-se em medicina há quase 15 anos. Porém, nunca sentiu prazer em atender pacientes nem no ofício. Ele sofre de insônia crônica e se sente deprimido. Carlos é um sonho frustado que foi realizado pelos pais.
Mentiras ou verdades?
De tanto mentir, acreditava que suas mentiras eram verdades. Não gostava de verdades. Quando morreu, um anjo veio lhe buscar. Não acreditou. Achava ser mentira. Quando descobriu que era verdade, decidiu acreditar que estava vivo.
Salvação
Simão da Conceição, 58 anos, pescador de profissão. Quando aporta das sua longas pescarias, a primeira coisa que faz é tomar um trago de caninha no boteco da esquina. Fuma desde os 13 anos de idade. Julga-se ateu. Desde quando casou, há 40 anos, nunca mais pisou em algum tipo de igreja, nem rezou para um deus ou santo qualquer. Descobriu que está com câncer nos pulmões e cirrose nos fígados. Levanta escondido todas as noites, liga a tela num desses programas religiosos -que prometem expulsar demônios, curas milagrosas e trazer felicidade- e não desvia um segundo da atenção. Simão da Conceição crê que não crê.
Recíproco
Era uma vez um marido leal. Pagava todas as contas da casa e faculdade dos filhos. Fazia amor -na mesma posição- todos os dias com sua amada esposa. Nunca chegou atrasado ao trabalho nem desmarcou um compromisso. Dormia todos os dias no mesmo horário e acordava antes do sol. Foi a rotina em pessoa. Não fumava, não bebia. Não gostava de música. Achava arte uma bobagem. Morreu aos 42 anos, vítima de si mesmo.
APENAS
Não há mistério
apenas dúvidas
falsas razões
fragilidades
#
Não há respostas
apenas perguntas
falsas verdades
desconstruções
#
Não há pecado
apenas lendas
falsa moral
obscenidade
#
Não há crime
apenas desvios
falsos estágios
eutanásia
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Oriundo
Eis que aqui estarei ao retorno do mundo
Esperar-te-ei ao contorno profundo
Buscando sem contingentes, simples mergulho
Esperar-te-ei ao contorno profundo
Buscando sem contingentes, simples mergulho
O que pode parecer oriundo ou absurdo
Viveis o tormento insano pelas curvas estreitas
Atormentas o que não percebes, sempre sua direita
Sorriso, a quem pode, não convém à desfeita
Construir-te-ei, e não serás meu orgulho, a tua tristeza
terça-feira, 5 de setembro de 2006
Prazer e Medo
Numa esquina qualquer
O prazer e o medo
Prazer: cantando
Medo: calado
Prazer: dançando
Medo: sentado
Prazer: abrindo
Medo: fechado
Prazer: feliz
Medo: magoado
Na mesma esquina qualquer
o prazer descobriu que o medo
é o prazer de quem não tem medo
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
LÁPIDE 1: Embalagem
Imaginem hipóteses
Isto é só um túmulo
Foi-se apenas a matéria
A anti-lógica poética sobreviveu!
TRANÇAS E TROÇAS
Todos esses aí
Trocados por trocados
Onde estão?
Cheios de troças
Traçados estão eles
Eles quem?
Refiro-me a quem? Qual?
Similaridade
O último tango de imbecís
Quem são imbecís?
Todos esses aí
Inclui-se o reflexo do espelho
Mão, corpo, mente, autor
QUEM?
Só comigo mesmo
tolo à toa
fé-falível
obstinado-meio
alcalino
sois quem sois?
celífluo
anti-cavo
osso-do-pão-ralo
serei-o
mesmo comigo só
SENTIDOS
Sentidos
assim implicam
decompõe-se
chama acesa
Fortes
inspiram lógica
indicam
o quase entender
Crus
prontos-semi
digeríveis
guiam-nos
Caminhos
O primeiro: formal
O segundo: quebrante
O segundo: quebrante
O primeiro: esposa
O segundo: amante
O segundo: amante
O primeiro: pronto
O segundo: mutante
O primeiro: certo
O segundo: errante
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Nostalgia
Tu vives
numa nostalgia qualquer
[sentes o nada]
vives do que não mais pode
[olhas o que não mais és]
mas
tu vives assim mesmo!
numa nostalgia qualquer
[sentes o nada]
vives do que não mais pode
[olhas o que não mais és]
mas
tu vives assim mesmo!
Desdém
Olhares acuados de pessoas desdenhadas
Diagramação de palavras agônicas
Sentindo-se condicionados pelo acaso
Saboreando à prato nulo
Diagramação de palavras agônicas
Sentindo-se condicionados pelo acaso
Saboreando à prato nulo
Gestos, restos de perdão arruinados
Rentes, palma da mão batendo à cara
Linguagens discrepantes e nuas
Conduzindo ao estado de dormência
Pensamentos brancos, claros, vãos
De pesares adelgaçados
Lançados do caos ao cais
Acorrentando agilidade e paciência
CASO COM ACASO
FUTILIDADE DO MÊS DE NOVEMBRO
Hoje acordei assustado no meio da noite. Desciam pelo corpo calafrios transportados por gotas de suor. Foi uma espécie de ânsia protagonizada por eu mesmo. Desorientado e sem nenhuma excitação nervosa exterior, descansei pouco mais. Levantei e fui ver o que estava passando na TV — mais um daqueles programas religiosos em que o pastor afirma ter feito milagres e depois passa o número da conta e agência bancária — desliguei-a, pois estava quase me emocionando. Regressei à cama e me evolvi entre travesseiros deformados e lençóis perfumados de marofa. Mirei para o teto descobri de onde viria uma lendária goteira que escorria entre o vão da parede e o guarda-roupa, que sempre fica com as portas abertas para sair um pouco do cheiro de mofo. Num momento desenhava todo o teto, confundia-o com as nuvens de algodão — o tom escuro decorrente do bolor do teto me dizia que a previsão era para tempo ruim. A janela, a qual eu fixava olhares sobre os pregos enferrujados pela maresia, estava estranhamente nodoada. Zangou-se com a limpeza. A umidade salobra a deixava embaçada. Levantei vagamente da cama, caminhei até a sala, e sentei no meu novo antigo sofá, abrigo caseiro dos cupins, formigas e pequenos coleópteros. A estante: escudo de minhas idéias. Abriga livros perfurados por traças, edições amareladas do Primeira Pauta, CDs riscados e fotografias foscas de uma era sapiens. Há um grande amigo escondido naquela estante, dentro de alguma página perdida. O conselho certo para a hora certa. Olhos cansados: fechei-os. Imaginei o teto: diferente, tom mais fosco, como se agora estivesse limpo, com algo esculpido a qual não decifrei (pode ser que sejam as cavidades conseqüentes do mau reboco). Na estante: somente um livro. Não me contive, fui crê-lo. Sem codinome e progenitor, teor nulo. Progredi o processo de osmose cerebral misturado a ressaca da noite passada. Ganharam formas as letras, aos poucos. Minha lupa direcionada trincava-se. Li-as. Retornei à cama. Aspirei e transpirei em meu sonho. 11h47: Despertei suado. Acendi um cigarro barato e digeri um café adormecido. Tranqüilizei-me pouco mais. De volta ao velho sofá liguei novamente a TV, que insistia em apresentar chuvisco e ruídos. Olhei para a geladeira Cônsul modelo 1984, cor azul desbotado: estavam lá um calendário e a conta de água e luz, empenhadas. Pautaqueoparéu! Novembro! Preciso trabalhar!
José Eduardo Calcinoni
![]() |
| Há controvérsias! |
Assinar:
Postagens (Atom)
























