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sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Sempre lembre se for poeta:
bom humilde ser
salto alto
 tamanco cai do pé e torce ego

Tiro certeiro

Caminhos, estradas, atalhos
Lugares em algum lugar

B   ú    s    s    o    l    a    ?

Quantas milhas náuticas
Qual profundidade?
........... A
...............(L)
....................T
........................I
...........................T
..............................U
..................................D
......................................E
Sonhos não precisam de precisão!

"Um mapa
.do mundo
que não inclua utopia
nem vale a pena olhar" (Oscar Wilde)


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A ARTE DO BONSAI

Como não existem documentos que comprovem como e quando exatamente surgiu o bonsai, há muitas histórias diferentes que descrevem a origem. No entanto, é possível citar pontos em comum entre elas. Segundo as diversas versões, os primeiros bonsai foram cultivados no china há milhares de anos atrás. A história mais aceita entre os cultivadores do mundo todo, é a de que há milhares de anos, na China, os homens mais ricos e cultos saiam das cidades, buscando maior contato com a natureza. O intuito era seguir para as montanhas e lá contemplar todos os fenômenos naturais, tudo isso visando atingir a harmonia e a tranquilidade do espírito. Em meio às matas, esses chineses encontravam muitas espécies de árvores de tamanho menor. Eles as chamavam de árvores-anãs. As formas em miniatura, fascinaram tanto, que começaram a retirá-las das florestas e cultivá-las em vasos. Inicialmente, as árvores em miniatura eram mantidas como eram encontradas, sendo apenas transplantadas para vasos. No entanto, com o tempo, foram surgindo, de forma gradual e lenta, técnicas que visavam aprimorar o formato dos pequenos exemplares. Essas miniaturas passaram a ser chamadas pun sai. Muitos acreditavam que os chineses, os quais deram início ao que seriam os primeiros bonsai, não eram apenas ricos, mas estavam relacionados diretamente a religião. firmam que se tratavam de monges taoístas, que admiravam essas pequenas árvores, devido aos seus sinais de velhice e de luta pela sobrevivência contra as adversidades da natureza.

Saído da China

Como isso, desmitifica-se a idéia de que o bonsai foi originado no Japão. Os chineses foram os responsáveis pela miniaturização de árvores em vasos. Eles acreditavam que eram um vínculo entre o céu e a terra, algo que estimulava a meditação. Levados pelos monges chineses, a arte chegou ao Japão, na Era Kamakura, que compreende o período entre 1192 d.c. e 1333 d.c. Lá a prática foi modificada, desvinculada da religião e tornou-se uma arte. Os japoneses passaram a ver o bonsai como uma expressão do homem, interpretando a natureza e, então, procurando recriar suas formas com a maior perfeição possível. Inicialmente, era uma prática da aristocracia, mas com o tempo, se dissiminou. Contam que, já em 1664, um funcionário do estado chinês se mudou para Japão, onde passou a se dedicar ao bonsai. A partir do conhecimentos transmitidos por esse mestre, os japoneses desenvolveram as técnicas de cultivo e criaram os estilos básicos. O bonsai chegou ao Ocidente, muitos anos depois, no século 18, ingleses retornaram do território japonês, espantados com as pequenas árvores cultivadas em vasos, que produziam e se assemelhavam das encontradas na natureza. A notícia se espalhou pela Europa.Em 1914, aconteceu a primeira exposição nacional de bonsai no Japão. Dizem que alguns exemplares expostos, estão vivos até hoje. E 20 anos depois, o Museu Metropolitano de Arte de Tóquio, instituiu a exposição como sendo anual e ela é realizada até hoje, a Kokufu Bonsai Ten.


No Brasil

As primeiras histórias relacionadas a arte do bonsai, são de 1908, com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses. Acredita-se que eles trouxeram pertences que lembrassem a sua terra, entre eles alguns exemplares de bonsai. No entanto, de acordo com Chuji Takeguma, autor do artigo "História do Bonsai no Brasil", publicado em 1938 e divulgado até hoje pela Associação da Tradição Oriental, da cidade de Curitiba-PR, a prática no Brasil, não começou exatamente na chegada dos imigrantes. Takeguma conta que muitos conhecedores e admiradores da arte, desembarcaram em terras brasilieiras, entre eles o monge budista Tomojiro Ikaragui. Ele teria trazido o tronco de uma amoreira, o que poderia ter sido o primeiro bonsai introduzido no País, se a alfândega brasileira não o tivesse confiscado. Vindos para trabalhar nas lavouras de café, os imigrantes japoneses se dedicavam basicamente ao cultivo agrícola, sendo esse um outro motivo que teria atrasado o início da arte no Brasil. Apenas na década de 30, com estabilidade financeira, alguns imigrantes iniciaram o cultivo de exemplares de bonsai. A partir de Guaiçara, município do interior do Estado de São Paulo, essa arte de disseminou pelo país. Os cultivadores pioneiros, como Noriyasu Seto, dessa mesma cidade, adotaram espécies orientais como juníperos e ácer, e fizeram diversas experiências para aclimatização dessas plantas estrangeiras, cujas sementes foram trazidas do Japão. Mesmo tendo acesso as espécies orientais, houve um imenso interesse em adotar plantas nativas no cultivo do bonsai. Ainda de acordo com Chuji Takeguma, o Sr. Tyotaro Matsui, imigrante, localizado na cidade de Gauimbê, interior de SP, cultivou o primeiro bonsai de espécie nativa, no início da década de 30. O bonsai se tratava de uma Primavera (bougainvillea spp), que atraiu cultivadores japoneses pela fato de sua imensa floração. Essa é uma das histórias sobre a arte do bonsai, como dito no começo do texto, não existem documentos que comprovem sua origem, cada site, cada livro tem a sua história.

fonte: Guia - Como Cultivar Bonsai, ed. casa dois

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Zamba Para No Morir (Hernan Figueroa Reyes)

Essa música é parte da minha construção, seguiu comigo num momento e ficou (mesmo tendo ouvido a primeira vez na voz de Mercedes Sosa). Se ela é triste? Depende de como cada um a traduz.



Romperá la tarde mi voz
Hasta el eco de ayer.
Voy quedandome solo al final
Muerto de sed, harto de andar.
Pero sigo creciendo en el sol,

Vivo.

Era el tiempo viejo la flor,
La madera frutal.
Luego el hacha se puso a golpear,
Verse caer, solo rodar.
Pero el árbol reverdecerá
Nuevo.

Al quemarse en el cielo
La luz del día, me voy
Con el cuero asombrado me iré
Ronco al gritar que volveré
Repartido en el aire a cantar
Siempre.

Mi razón no pide piedad
Se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual
Solo dormir, verme borrar.
Una historia me recordará

Vivo.

Veo el campo, el fruto, la miel
Y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer
Hoy como ayer siempre llegar.
En el hijo se puede volver

Nuevo.

Al quemarse en el cielo...


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais uma do mesmo


nada tão comum
              que não possa chamá-lo:
meu


nada tão meu
               que não possa dizê-lo:
nosso


nada tão mole
               que não possa dizê-lo:
osso (do bagaço)

nada tão duro
             que não possa dizer:
posso



Cultive um pulmão no seu jardim


Dia 23 de setembro inicia a primavera no hemisfério sul. É o início de uma fase de renovação. A natureza passa a reativar suas cores e ofuscar seu brilho.

No dia 21 é comemorado o dia da Árvore.

Na escola, nos primeiros anos de minha educação alfabetizada, nessa época, ganhávamos uma mudinha para levar e plantar em casa. Era um misto de espécies nativas: aroeira, embaúba, pitangueira, ameixeira, goiabeira, cerejeira, etc. Cada aluno pegava uma, sortida. Todas elas, depois de plantadas e desenvolvidas, deram sua contribuição como elemento de manutenção da vida. Estabeleceram as trocas gasosas para nos possibilitar o oxigênio, ajudaram na infiltração da água no solo, na diminuição da erosão, serviram de abrigo, tanto para o sol quanto para a chuva, deixaram o ambiente mais fresco e confortável, além de servirem de casa e produzir alimentos para milhares de animais, insetos, outras plantas e microorganismos essenciais para a continuidade do ciclo biológico no planeta.

Plantar uma árvore significa um pouco de tudo isso. Você pode dar uma pegada mais poética, desenhar, escrever, declamar, encontrar qualquer outro sentido. O fato é que ela agrega tudo isso. Possibilita essa harmonia. Parece tão lógico. A importância que descrevo, talvez, nem fosse a ideia dos professores, na época. E talvez, o que importa nem tenha sido o sentido da comemoração em si. Sei que, desde ali, comecei a plantar um pedaço do meu pulmão, mesmo sem sequer ainda ter perdido um pedaço dele. Sem querer ajudei a recompensar um pouco da parte que também ajudei a destruir. E quando falamos de pulmão, falamos em respirar. Em sobreviver. Pulmão é autonomia. Como sobreviver?

Calma, isso é apenas conseqüência de tudo que consumimos. E não se preocupe, não estamos sós. Muitos, em tantos lugares, já também não possuem os pulmões. Já os consumiram. Outros, nem tem noção da perda.  Enquanto o ar ainda sobra e os pulmões ainda refrescam e aliviam o peito, continuo, apesar de tudo, praticando o auto-canibalismo. E o pior é que, até hoje, desde a época da escola, quase não tenho reposto os pedaços do pulmão que consumo.

Assim, mais uma vez, no mês de setembro me lembro de tentar buscar uma definição mais adequada para a palavra “Independência”.


(Publicada na Revista Premier - Setembro 2010)
http://www.revistapremier.com.br/site/Post/Post.aspx?id=1378

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Um homem passa a valer quando começa a entender e compreender a terra em que pisa". (autor desconhecido)

.

TIEMPO DEL HOMBRE - ATAHUALPA YUPANQUI



La partícula cósmica que navega en mi sangre
es un mundo infinito de fuerzas siderales
Vino a mí tras un largo camino de milenios
cuando, tal vez, fui arena para los pies del aire
Luego fui la madera. Raíz desesperada
Hundida en el silencio de un desierto sin agua
Después fui caracol quién sabe dónde
Y los mares me dieron su primera palabra
Después la forma humana desplegó sobre el mundo
la universal bandera del músculo y la lágrima
Y creció la blasfemia sobre la vieja tierra
Y el azafrán, y el tilo, la copla y la plegaria
Entonces vine a América para nacer en Hombre
Y en mi junté la pampa, la selva y la montaña
Si un abuelo llanero galopó hasta mi cuna
otro me dijo historias en su flauta de caña
Yo no estudio las cosas ni pretendo entenderlas
Las reconozco, es cierto, pues antes viví en ellas
Converso con las hojas en medio de los montes
y me dan sus mensajes las raíces secretas
Y así voy por el mundo, sin edad ni destino
Al amparo de un Cosmos que camina conmigo
Amo la luz, y el río, y el silencio, y la estrella
Y florezco en guitarras porque fui la madera




 

O sistema/1 (Eduardo Galeano - Livro dos Abraços)

Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juizes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.


A função da arte/2 (Eduardo Galeano - Livro dos Abraços)

O pastor Miguel Brun me contou que há alguns anos esteve com os índios do Chaco paraguaio. Ele formava parte de uma missão evangelizadora. Os missionários visitaram um cacique que tinha fama de ser muito sábio. O cacique, um gordo quieto e calado, escutou sem pestanejar a propaganda religiosa que leram para ele na língua dos índios. Quando a leitura terminou, os missionários ficaram esperando.
O cacique levou um tempo. Depois, opinou:
— Você coça. E coça bastante, e coça muito bem. E sentenciou:
— Mas onde você coça não coça.

A função da arte/1 (Eduardo Galeano - Livro dos Abraços)

A função da arte/1


Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!


                                         ...


sexta-feira, 30 de julho de 2010

...


"Navigare necesse; vivere non est necesse".



***



A antítese do novo e do obsoleto
O amor e a paz, o ódio e a carnificina
O que o homem ama e que o homem abomina
Tudo convém para o homem ser completo.

(Augusto dos Anjos)

terça-feira, 27 de julho de 2010



"Tupi or not tupi, that is the question."

(O.A)



Sobre o sentido

O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo.
Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos.
O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.
Me recuso a viver num mundo sem sentido.
Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação.
Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido.

(Paulo Leminski)


A VERDADE DO POETA

Quando um poeta diz à uma mulher que a ama,
Quase sempre está dizendo uma verdade,
Os poetas não mentem, e sabem que o amor é chama,
E amam intensamente, mas com uma dose de leviandade.

Dirás então que o poeta é sempre um leviano,
Mas tu erras em teu precipitado julgamento,
O poeta é um pouco mais que um ser humano,
Algo de divino está presente em seu pensamento.

Que mal há em amar então muitas mulheres
Se para isso é que elas foram feitas;
Mulheres são como flores, para serem colhidas,
Admiradas, cheiradas, serem belas e perfeitas.

Não há traição, portanto, nas intenções de um poeta,
Muitos de seus amores não passam de um sonho.
É que amar a beleza da mulher é sua grande meta,
E eu ponho minha mão no fogo por isso, juro que ponho.

A mulher que tiver um marido poeta, amante ou namorado,
Sem dúvida será uma mulher extremamente amada;
Pois o poeta entrega sua alma quando se diz apaixonado,
Entrega-se tanto a ela que nunca lhe faltará nada.

Mas se as mulheres forem daquelas que de tão ciumentas,
São capazes de exigirem mais atenção e exclusividade,
O poeta sente-se como se estivesse ardendo entre pimentas,
E desiste daquele amor e parte sem sentir saudade.

Não se zanguem, portanto, mulheres de minha vida;
Aceitem esta leviandade romântica e apaixonada,
Pois estarão mais seguras, amadas do que perdidas,
E é muito melhor ter só uma parte do que não ter nada.


(Ivan Jubert Guimarães)

Estilhaço

Sou poeta. Realista. Real como sou, mas não como sou poeta. Agressivo e meio estranho. Talvez normal - pouca pinta de mal. Simples. Na simplicidade que penso. Ilusionista. Um pouco rouco. Leio gibi e revista pouco. Amargo. Ouro e escarro. Poeta? Que sarro! Um caminho atrás. Já ouviu falar de amor? Ouvirás. Precoce. Transpiro e inspiro. Espirro e tosse. Na droga do pensamento. Careta. O que vale pode ser momento. E desse, apenas meio. Inteiro? Devaneio. O que vejo é o que veem. Não enxergam? Creem? E agora o que faço? Nada! Estilhaço. Não me lembro. Penso, logo existo. Ou existo porque penso? Esse caminho é uma jogada pouco estranha. Fácil. Se não se acerta, ao menos arranha.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Nem sempre mudam as estradas
(De repente, a forma de se caminhar nelas?)

É preciso observar, sentir, sonhar, seguir...
Criar o que para muitos sempre esteve pronto.
(Destino?)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

1/2 - 1/2 - 1/2


Eu procuro alguém que na vida me satisfaça

A metade da metade da metade
dos meus sonhos

A metade da metade da metade
dos meus desejos

A metade da metade da metade
dos meus prazeres

A metade da metade da metade deles.

E mesmo assim, com minha procura
não me satisfaço só com metades
(sempre busco outras metades)

Mas elas só serão metades das metades das metades
(somente metades)

com isso, acabo me dividindo sempre em mais metades


sexta-feira, 9 de julho de 2010

SEGREDO (Carlos Drummond de Andrade)

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.